Ana Tikhomiroff escreve sobre a edição comemorativa do vigésimo aniversário da Convenção Internacional de Bancos de Palestrantes.
Acabo de chegar de Indianápolis, onde participei da edição comemorativa do vigésimo aniversário da Convenção Internacional de Bancos de Palestrantes organizado pela IASB (International Association of Speakers Bureaus). Este evento acontece anualmente, sempre em uma cidade americana, onde o banco de palestrante local fica encarregado da organização. A idéia é que nos próximos anos uma cidade em outro país seja sede do evento.
Além de várias empresas dos EUA, estavam presentes representantes de empresas da Austrália, Canadá, Espanha, Singapura, Holanda e Brasil, é claro. Com 20 anos de existência, a IASB conta hoje com 99 empresas associadas. A associação vem crescendo, sempre com a intenção de promover uma maior profissionalização do mercado, que assim como no Brasil, a cada ano, tem um crescimento acentuado, e junto ao crescimento, sempre surgem empresas e pessoas oportunistas que não fazem um trabalho sério, o que acaba prejudicando o trabalho daqueles que já estão no mercado há algum tempo.
A convenção tem a duração de 3 dias. Além de várias atividades de networking, são apresentadas palestras e painéis com temas de interesse geral, promovendo também a divulgação dos palestrantes entre os bancos de palestrantes, sendo que só participam da convenção profissionais que forem indicados por associados e selecionados por um grupo de avaliadores. Isso garante a qualidade dos profissionais presentes. É com certeza uma oportunidade valiosíssima para todos os profissionais, uma oportunidade única de troca de conhecimentos.
Dentre os temas apresentados este ano, foram discutidas questões como liderança, como administrar seu negócio, impostos e contratos, relacionamento bureaus – palestrantes – clientes. Para fortalecer este tópico, foi apresentado um painel com a presença de um profissional representando os palestrantes e a associação dos palestrantes e uma pessoa representando os clientes. Anteriormente a convenção, foi realizada uma pesquisa entre as empresas contratantes e os palestrantes, para que falassem sobre críticas, elogios e expectativas em relação ao trabalho dos bancos de palestrantes.
Sobre novidades e tendências, o que mais se ouviu foi que o mercado tende a valorizar daqui para frente aqueles profissionais que apresentem uma proposta consistente e inovadora de palestras, fugindo dos temas e estilos iguais. A grande diferença que se vê entre o mercado brasileiro e americano, é que lá todos os palestrantes possuem ao menos um livro publicado, um demo vídeo profissional, site, lista de honorários cobrados para cada tipo de evento e participação. Isso com certeza torna o trabalho dos bancos de palestrantes de lá bem mais fácil. Aqui no Brasil, estamos caminhando nesta direção, já que o que se vê com relação às empresas contratantes é que o vídeo é uma característica imprescindível na hora da contratação. Até pouco tempo, a maior parte dos palestrantes preferia trabalhar em termos de exclusividade com os bancos, porém, isso também está mudando, visto que as empresas contratantes começavam a achar que os bancos estavam mais direcionados a atender as necessidades de seus palestrantes que de seus clientes. Não existindo mais a exclusividade, a própria pressão da venda por este ou aquele profissional acaba não mais existindo. Isso só não é válido para palestrantes muito famosos, que por uma questão de confiança, acabam optando por trabalhar apenas com um ou outro banco de palestrantes.
Um detalhe que mostra como o mercado de palestras/eventos americano está muito a frente do brasileiro, é no que diz respeito a empresas que prestam serviços para esta área. Existem empresas especializadas em cada detalhe, voltadas para este mercado, como por exemplo: escrever um livro, alugar um carro, brindes, fazer web e vídeo, um software desenvolvido especialmente para atender as necessidades dos palestrantes e bancos de palestrantes, tornando informações de vital importância(como por exemplo disponibilidade do palestrante) acessíveis em real time, agências de viagem especializadas em palestrantes, etc... Após o atentado de 11 de setembro, os palestrantes que viajam com muita freqüência adotaram várias medidas de segurança, e essas empresas surgiram exatamente para atender essas novas demandas, o que acabou tornado esta espécie de serviço bem mais eficaz.
A próxima reunião será em Fort Worth, Texas, de 26 a 28 de abril. A perspectiva de uma dessas reuniões ser realizada no Brasil, ou mesmo em algum país da América do Sul é bastante remota, uma vez que nosso mercado ainda é muito pequeno (no continente, são pouquíssimos os bancos de palestrantes existentes), só uma empresa do continente é associada (contra várias da Europa e América do Norte) e temos pouco a oferecer as empresas dos outros países, principalmente pelas barreiras de língua. Porém, o que pude perceber é que as principais agências do Brasil têm uma forma de trabalhar bastante similar a dos americanos, o que mostra que estamos no caminho certo, uma vez que o mercado americano está a pelo menos 10 anos na nossa frente.
Ana Tikhomiroff é diretora da Academia do Palestrante