Palestrante Bill Bartmann - o sucesso de um perdedor serial.

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O palestrante Bill Bartmann tornou-se a mais nova celebridade no circuito dos gurus motivacionais depois de perder tudo duas vezes e reerguer-se.

O americano Bill Bartmann, de 58 anos, já teve seus dias de glória. Em meados da década de 90, ele viajava pelo país a bordo de um jatinho Gulfstream, chegou a entrar para a lista de milionários da revista Forbes e sua mansão ocupava um terreno de impressionantes 80 quilômetros quadrados na cidade de Tulsa, no estado de Oklahoma. Mas, além de muito dinheiro e de todas as excentricidades que costumam vir a tiracolo -- como andar escoltado por ex-agentes do serviço secreto americano e apresentar-se numa famosa arena de boxe de Las Vegas fantasiado de Júlio César -, ele também tinha prestígio. Um dos fundadores da Commercial Financial Services (CFS), criada em 1986 para comprar e recuperar dívidas de cartão de crédito de emissoras e bancos, Bartmann chegou a ser destaque na revista Business Week como empreendedor. Também foi agraciado pela Academia Americana de Conquistas, honra concedida a ilustres como o empresário Michael Dell e James Cameron, diretor dos filmes O Exterminador do Futuro e Titanic. Em menos de uma década, a CFS transformou-se na maior empresa mundial de seu setor e foi avaliada em 6 bilhões de dólares. O sucesso de Bartmann era tamanho que, em 1998, o governador de Oklahoma decidiu que, naquele ano, o dia 30 de abril seria dedicado a ele.

Passada quase uma década, Bartmann é novamente uma celebridade - só que desta vez por seus fracassos. Hoje, ele ganha dinheiro para contar em auditórios lotados como perdeu tudo duas vezes e, principalmente, como se reergueu. Os reveses em sua vida, tão retumbantes quanto as vitórias, o tornaram um astro do circuito dos gurus motivacionais. A nova fase começou após a falência da CFS. No final de 1998, uma carta anônima enviada às agências de rating questionou a veracidade dos números da empresa e foi o pivô de um escândalo contábil na companhia. Bartmann escapou da condenação e, em 2006, conseguiu sair ileso das últimas ações movidas contra ele na Justiça. "Sou um dos maiores especialistas do mundo em fracassos e sucessos", costuma dizer, sem nenhuma modéstia, em programas de TV em que conta sua saga. "E certamente o mais indicado para convencer qualquer um de que a auto-estima pode fazer um ser humano ressurgir das cinzas."

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Com a ajuda de uma sucessão de fracassos, Bartmann vem tentando ser alçado de novo à condição de milionário e cobra até 13 000 dólares de empresas que contratam seus seminários. Nos Estados Unidos, o mercado de motivação, que inclui palestras, seminários, livros e DVDs de autoajuda, movimenta hoje cerca de 10 bilhões de dólares. Os números são impulsionados, sobretudo, pela crença dos americanos de que é sempre possível reinventar-se - convicção que funciona como um dos principais motores do capitalismo no país. Outro fator da expansão desse mercado é o fato de que, depois de anos embalados por depoimentos de puro sucesso, os ouvidos dos americanos estão ávidos por um pouco de adversidade. Na prática, é como se a ocorrência de um infortúnio tornasse uma história mais legítima. Prova disso é que há espaço para outros expoentes além de Bartmann. Um deles é Scott Waddle, comandante de um submarino nuclear americano, que saiu do anonimato em 2001 depois de afundar um barco de pesca japonês na costa do Havaí, matando oito pessoas. Seu mantra: "O fracasso não é o fim".

O talento para lidar com adversidades é algo que Bartmann desenvolveu desde jovem. Oriundo de uma família pobre com oito filhos, ele saiu de casa e da escola aos 14 anos para morar na rua. Fez parte de uma gangue e bebeu mais do que devia. Como não poderia deixar de ser, fala com desenvoltura sobre as muitas coisas que aprendeu na rua e que depois lhe foram úteis na vida empresarial. "Quando você vive na rua, aprende a olhar as pessoas nos olhos e sacar logo se elas vão ou não tirar vantagem de você", diz Bartmann, que considera essa uma habilidade essencial no mundo dos negócios. Sua primeira volta por cima como empresário - e uma das principais histórias de suas palestras - culminou com a fundação da CFS. Na década de 70, antes de criar a companhia que o tornaria famoso, ele chegou a ganhar muito dinheiro com uma empresa de oleodutos. Em 1986, porém, com a queda dos preços do petróleo, Bartmann viu-se sem clientes e com uma dívida de 1 milhão de dólares. Praticamente quebrado, pediu um financiamento de 13 000 dólares para começar a CFS na cozinha de sua casa. Naquela época, também decidiu onde queria estar no futuro. "Comprei uma revista Forbes, vi que o patrimônio da última pessoa da lista das 400 mais ricas do país era de 482 milhões de dólares e pensei: 'Ótimo, preciso só de 483' ", diz ele. "Quatro anos e meio depois, também estava lá."

Uma de suas mais novas empreitadas é atuar como coach - ao preço de 10 000 dólares por hora de trabalho. Apesar do cachê alto, a pompa dos tempos em que era um bem-sucedido empresário é parte do passado. Hoje, ele gerencia sua carreira num pequeno escritório na cidade de Tulsa, muito próximo a um prédio comercial onde a CFS já chegou a ocupar cerca de 50 andares. O ambiente é modesto, mas a ambição continua grande. Em inúmeras entrevistas, Bartmann declarou que, em breve, pretende faturar cerca de 100 milhões de dólares. Stephen Covey, autor do best-seller Os Sete Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes e um dos mais bem-sucedidos palestrantes motivacionais dos Estados Unidos, fatura cerca de 130 milhões de dólares. "Tenho tanto orgulho dos meus fracassos quanto das minhas conquistas", diz Bartmann. "E tenho muita autoconfiança para correr ainda mais riscos."

Fonte: Revista Exame - 28/06/2007

Tel.:(11) 3884-6558