Vou convidar você para voltar um pouco no tempo. Tente buscar em seus registros recordações de como você brincava e se divertia na sua infância. Aposto que você já está sorrindo ao lembrar-se de uma cantiga de roda, de uma história contada ao pé do ouvido pela sua mãe, das férias no interior, do dia em que escalou uma árvore, da sua coleção de figurinhas, da descoberta de poder construir seus brinquedos, da amarelinha desenhada na areia, de uma brincadeira na hora do recreio que você brincava repetidas vezes com o mesmo encantamento e prazer. Sensação boa essa, não é mesmo?
Quando nos permitimos abrir nosso baú da infância para relembrarmos momentos como esses, temos a oportunidade de compreender a importância que o ato de brincar tem em nossa vida.
Nestas férias ouvi um comentário de uma pessoa com um pouco mais de 40 anos que dizia: “Nossa, faz muito tempo que eu não sabia o que era brincar, me divertir! Me senti uma criança.”
É uma pena perceber que quando nos tornamos adultos deixamos de valorizar esta disposição de brincar. Quer ver um exemplo? Se você é pai ou mãe, veja quantas vezes você limita ou limitou o seu filho, julgando a sua forma inocente e lúdica de brincar? Se você dedicar alguns segundos do seu tempo para observar, verá que ele transforma um cabo de vassoura em um cavalinho, uma tampa de panela em volante de carro, uma caixa de papelão em um lindo foguete, inventa personagens, cria histórias, transforma-se, ele brinca e vive intensamente tudo isso, com um brilho tão intenso no olhar que nada interfere nesse momento de descoberta e aprendizagem.
Para muitos pais isso é impossível, e sai logo gritando: “Não brinque com o cabo da vassoura, ele está cheio de bactérias!”, “Tampa de panela é para ficar no armário, já te falei isso!”, “Papelão é lixo e não brinquedo!”, e assim vai No final você acaba dando a opção de ficar assistindo TV, pois assim não faz sujeira e nem se suja. Limitando e travando o processo criativo que mais tarde, quando for um adulto vai precisar no seu campo profissional. Não é à toa que estamos em falta de profissionais criativos.
Toco neste assunto, pois percebo que o adulto de hoje me parece um tanto mal resolvido em se tratando deste assunto: brincar , divertir-se.
Parece que quando nos tornamos adultos, brincar fica uma coisa que deixamos de lado, alguns ficam até sem jeito quando tem que fazer uma careta, sentar-se ao chão, e manifestar qualquer atitude que se lembre de uma criança.
Hoje, para muitos adultos, divertir-se é sair com amigos e beber todas, beber até cair. Fazer racha com o carro, ficar dando voltas e voltas em corredores de shopping center, passar horas em frente a uma tela jogando vídeo game, sem contar aqueles que só conseguem se divertir se for no computador, pior são aqueles que afirmam que o seu maior divertimento é o trabalho. Poderia citar outros tantos exemplos, mas vou deixar para sua imaginação.
É lamentável ver adultos rotulados, prensados pela indústria do consumo da padronização. Você investe em uma boa faculdade, faz especialização para no final tornar-se um ser humano engessado, cheio de pré-conceitos com dificuldades em expressar sentimentos, emoções e frustrações.
Pense como anda esta fatia da sua vida chamada de “diversão” ou “lazer”.
Será mesmo que você se diverte? Há quanto tempo você não solta uma boa gargalhada, seja pelo escorregão que você deu ou por um fato banal. Rir por rir, pelo prazer de rir.
Pois para muitos rir só se for de coisas sérias. Sim, tem adulto assim.
Na próxima vez que você pensar em se divertir, busque uma recordação da sua época de criança. Deixe a imaginação correr, tenha a coragem de se deleitar de subir em uma árvore, tente montar um foguete de papelão, corra com o cabo de uma vassoura como se você estivesse galopando, faça essa criança rir e divirta-se com ela. Tenho certeza que você vai gostar e depois me conte!
Edmar Oneda
Coach de vida e sócio fundador da Academia do Palestrante.
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